Sempre ouvi dizer que o Amor e o ódio são sentimentos tão distantes mas ao mesmo tempo tão próximos pois um pode se tornar o outro facilmente…
A moeda tem dois lados, a vida também, para existir um lado lá terá de existir o contrario. Posso te dar vários exemplos, o contrário de sorte é azar, de vitória é derrota, de claro é escuro, isso se aprende desde muito cedo, não é verdade? Mas o contrario do amor será o ódio?
Se perguntares as crianças, elas te vão responder que sim, que o contrário do amor é o ódio. Mas não é verdade.
Se perguntares aos adultos descobriras a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
Ou preferias, que a pessoa que um dia amaste, passasses agora a odiar, ou que te fosse completamente indiferente? Preferias perder o sono imaginando maneiras de essa pessoa (que um dia amaste, não te esqueças) se dar mal ou que dormir como um anjo a noite inteira, esquecida por completo da sua existência?
O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações nem reclamações: o nome dessa pessoa já não consta na lista. Para odiar alguém, precisas reconhecer que esse alguém existe e que te provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisas de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastas energia e tempo. Odiar envelhece-te, desenha rugas na cara e cria angústia no peito. Para odiar, necessitas dessa pessoa sempre bem presente na tua mente, nem que seja para dedicar-lhe o teu rancor, tua ira, tua pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo.
O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para seres indiferentes a alguém, precisas do quê? De nada. A pessoa em questão pode saltar, pular, rir, chorar, não estás nem aí. Não o julgas, não o observas, nem notas a sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: o teu corpo ignora a sua presença, e muito menos te dás conta de sua ausência. Não tens o número do telefone das pessoas para quem não ligas.
A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou chamada atenção porque fez asneiras. Uma criança está sempre nas extremidades, adoração ou queixa, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

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