" As tuas palavras magoam-me mas o teu silêncio mata-me. E eu não sei mais o que fazer com tudo isto. Eu preferia mil vezes a tua frieza ao falares comigo do que esta tua ignorância e desprezo. Eu tenho a certeza que tu sabes que eu ainda te amo e que tão cedo isso não irá mudar. Talvez nunca chegue a mudar. Pergunto-me várias vezes se tu pensas em mim, se tu, quando ouves o meu nome, tentas mudar de assunto, se tu me aceitavas de volta se eu fosse bater à tua porta. Mas eu sei bem que não. Lá no fundo eu só não quero que o meu coração perca as últimas esperanças que lhe restam. As esperanças que tu semeaste na tua última visita. Eu sei que não te dei grande coisa, que não te dei o mundo. Mas eu dei-te tudo o que podia sem ter que fazer promessas que nunca seria capaz de cumprir. Eu dei-te o que melhor havia em mim: o meu coração. Eu entreguei-te a minha vida toda sem te pedir nada em troca. E o que é que eu ganhei com isso? Só um coração despedaçado, ferido, maltratado, perfurado, pior que morto. Agora, eu tenho que viver com isso todos os dias. E, por mais que digam que eu sou forte, eu não sou. Eu perdi todas as forças que guardava dentro de mim, perdi tudo. Passo os dias a chorar e a perguntar-me o porquê de ele me fazer isto a mim. Calo as minhas lágrimas e guardo-as dentro do meu coração partido para ninguém saber de nada. Acham isso vida? Eu não acho. Estou de pés e mãos atados, de olhos vendados e boca cosida. Não posso correr atrás dele, não lhe posso implorar para voltar nem, muito menos, posso puxa-lo para junto de mim. Não posso cuidar dele, da minha vida. Fico apenas a ouvi-lo afastar-se cada vez mais do meu coração. À espera que um dia a minha imagem sufoque o seu pensamento e que ele sinta a necessidade de voltar para junto de mim. Nesse dia as minhas angústias desaparecerão, assim como a dor, e um novo coração vai renascer e substituir os cacos do outro. Todos os dias eu sonho com a chegada desse dia. "



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